PCR-4 ou PCR-15: qual análise utilizar?

CCS alta significa leite desvalorizado, desconto no pagamento, vacas produzindo abaixo do potencial e um problema que tende a piorar quando o agente causador não é identificado.

A mastite é uma doença de rebanho e tratar sem saber o que está causando é como tomar remédio sem saber a doença – pode até aliviar por um tempo, mas o problema não se resolverá e só aumentará o custo da fazenda.  

O PCR é hoje a forma mais precisa de chegar à causa. Mas ele vem em duas modalidades, o PCR-4 e o PCR-15, e escolher a opção mais adequada para o uso tem grande impacto no programa de controle.

O que cada análise detecta

O PCR-4 detecta os quatro agentes contagiosos de maior risco para o rebanho — aqueles que se disseminam de vaca para vaca na ordenha e são os principais responsáveis por elevar a CCS do tanque:

  • Mycoplasma bovis
  • Staphylococcus aureus
  • Streptococcus agalactiae
  • Streptococcus uberis

O PCR-15 inclui esses mesmos quatro agentes e vai além: detecta mais onze patógenos, principalmente de origem ambiental e de menor risco de disseminação entre animais:

Mycoplasma spp., Streptococcus dysgalactiae, Escherichia coli, Klebsiella spp., Prototheca spp., Staphylococcus não aureus, Enterococcus spp., Serratia marcescens, Trueperella pyogenes, Corynebacterium bovis e Leveduras.

Quando usar o PCR-15

O PCR-15 do leite do tanque é o ponto de partida ideal quando ainda não há clareza sobre o que está elevando a CCS do rebanho.

Com uma única coleta (o ideal é fazer 3 coletas do leite do rebanho todo – do tanque, separadas por uma semana entre elas), é possível:

  • Entender o perfil do rebanho: saber se o desafio é contagioso, ambiental ou uma combinação dos dois — e direcionar as ações de manejo com muito mais precisão.
  • Planejar o próximo passo: se o resultado indicar agentes contagiosos, a próxima etapa é a triagem individual do rebanho com PCR-4 em pool. Se o desafio for predominantemente ambiental, o foco vai para higiene de ordenha, manejo de cama e limpeza das instalações.
  • Monitorar o progresso: repetições periódicas do PCR-15 do tanque mostram se as ações adotadas estão surtindo efeito e servem como evidência concreta da evolução do rebanho ao longo do tempo. É como manter um antivírus ativo, garantindo a segurança ao longo do tempo. 
  • Diagnosticar vacas individualmente: quando um animal apresenta mastite clínica ou subclínica e é preciso saber exatamente qual agente está envolvido para orientar o tratamento, o PCR-15 individual oferece a resposta mais completa.

Regra prática: rebanho com CCS elevada e sem diagnóstico prévio — comece sempre pelo PCR-15 do tanque.

Quando usar o PCR-4

Confirmada a presença de agentes contagiosos no rebanho, é hora de identificar quais vacas estão infectadas. Nesse momento, o PCR-4 entra como ferramenta de triagem e acompanhamento.

  • Triagem do rebanho em pool: amostras de grupos de vacas são analisadas juntas, reduzindo o custo da investigação. Se o pool for positivo, abre-se o grupo e identificam-se os animais infectados — o caminho mais eficiente para mapear a prevalência de contagiosos sem analisar cada vaca individualmente.
  • Triagem de grupos de risco: pós-parto, vacas crônicas, animais recém-adquiridos — o PCR-4 em pool permite monitorar grupos específicos de forma contínua e com custo controlado.
  • Confirmação de cura pós-tratamento: após o tratamento de uma vaca para agente contagioso, o PCR-4 individual confirma se o animal pode retornar ao lote de vacas negativas ou se precisa ser reclassificado.
  • Monitoramento mensal do lote negativo: dentro de um programa estruturado de controle, o PCR-4 do tanque do lote de vacas negativas funciona como um radar — detecta qualquer reintrodução de contagioso antes que ele se dissemine.

Resumo prático

SituaçãoAnálise recomendada
Rebanho sem diagnóstico — entender o perfilPCR-15 do tanque
Investigar causa de mastite em vaca específicaPCR-15 individual
Contagioso confirmado — mapear vacas infectadasPCR-4 de pool de vacas
Monitorar grupos de risco (pós-parto, crônicas etc.)PCR-4 de pool de vacas
Confirmar eficácia do tratamento para contagiosoPCR-4 individual
Monitoramento mensal do lote de vacas negativasPCR-4 do tanque do lote

Uma regra simples para guiar a escolha

Se a pergunta é “o que está causando o problema nesse rebanho ou nessa vaca?”, o PCR-15 oferece a visão mais completa. Se a pergunta é “existe algum contagioso circulando aqui — e em quais animais?”, o PCR-4 resolve com mais agilidade e custo menor.

As duas análises se complementam dentro de um programa estruturado de controle de mastite. Quer saber como aplicá-las na prática? Acesse o documento completo com o Programa de Controle de Agentes Contagiosos, clicando aqui.

Para outras dúvidas, fale com a nossa equipe pelo Whatsapp (19) 3422 – 3631.

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